Doutoramento em Economia · ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa · 2025–presente

Choques estruturais, declínio regional e estabilidade institucional na Zona Euro

Porque é que a pressão sobre as instituições pode aumentar mesmo quando a economia nacional recupera? A minha investigação de doutoramento olha abaixo do nível nacional. Testa se as regiões que ficam persistentemente para trás registam quedas mensuráveis na confiança e na estabilidade institucionais, e se boas políticas públicas conseguem amortecer o impacto.

Financiado pela FCT A partir de novembro de 2026, esta investigação é apoiada por uma bolsa de doutoramento da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2026.00623.BD).

A pergunta

Uma cadeia causal testável

As regiões entraram nas últimas três décadas com estruturas industriais, intensidades energéticas e mercados de habitação diferentes. Estas diferenças pré-existentes fazem com que tenham sido atingidas de formas muito distintas pelos choques globais do comércio e da energia e pela pressão sobre o acesso à habitação. É isso que permite identificar causa e efeito.

O projeto acompanha o que acontece a seguir. A exposição conduz ao declínio económico relativo, que conduz à insegurança económica, que por sua vez afeta os resultados institucionais. Meço esses resultados com indicadores objetivos, como a confiança, a participação eleitoral, a volatilidade eleitoral e o voto em partidos não tradicionais, e não com personalidades ou retórica.

1
Exposição a choques estruturaisComércio (shift-share), preços da energia, acessibilidade da habitação
↓
2
Declínio regional relativoMedido pelo índice RRESI
↓
3
Insegurança económicaSegurança no emprego, perspetivas de rendimento, nível de vida esperado
↓
4
Instabilidade institucionalConfiança, participação eleitoral, volatilidade, voto em partidos não tradicionais
As políticas públicas, como as transferências sociais, o subsídio de desemprego, as políticas ativas de emprego e os mecanismos de negociação salarial, podem enfraquecer cada elo.

Três artigos interligados

Como está construída a tese

01

Exposição → declínio

As regiões com maior exposição exógena a choques do comércio, da energia e da habitação sofrem um declínio económico relativo maior e mais persistente?

02

Declínio → instituições

Um maior stress económico regional prevê menos confiança nas instituições, menor participação e mais volatilidade eleitoral?

03

Políticas como moderadoras

Os estabilizadores orçamentais e as instituições do mercado de trabalho enfraquecem a ligação entre declínio regional e instabilidade institucional?

Um contributo de medição

O Índice de Stress Económico Regional Relativo (RRESI)

O desemprego, por si só, não capta o que significa um lugar "ficar para trás". O RRESI é um novo índice composto e transparente. Combina a divergência salarial e de rendimentos face às tendências nacionais, a persistência do desemprego de longa duração e a pressão dos custos da habitação, para acompanhar o declínio regional sustentado entre 1995 e 2025. Será validado com medidas de insegurança provenientes de inquéritos e testado para mostrar que acrescenta informação para além das medidas habituais de desemprego e rendimento.

Âmbito e dados

Quatro economias, trinta anos

A análise utiliza um painel região × ano ao nível NUTS 2, de 1995 a 2025, ligado a microdados harmonizados de inquéritos. Os quatro países partilham as restrições da união monetária, mas diferem muito na estrutura regional, nos percursos de ajustamento e nas políticas de amortecimento.

  • 🇵🇹 Portugal
  • 🇮🇹 Itália
  • 🇬🇷 Grécia
  • 🇫🇷 França

Métodos

  • Econometria de painel
  • Modelos shift-share (Bartik)
  • Identificação causal
  • Ligação macro–micro
  • Construção e validação de índices
  • Dados regionais do Eurostat e da OCDE
  • Microdados de inquéritos
  • Stata
  • Fluxos de trabalho reprodutíveis

Os resultados são apresentados por país e de forma agregada. Os testes de robustez incluem a exclusão de um país de cada vez, uma subamostra do período do euro (1999–2025) e construções alternativas do índice.